A Menina que Queria Ser Fotógrafa

É hábito eu escrever as formas em que ajudo as minhas clientes a descobrirem o melhor de si mesmas através da fotografia. Mas aqui havia uma desconexão – falo tanto do meu trabalho e tão pouco sobre mim. Acredito que é importante as leitoras conhecerem quem a vossa fotógrafa boudoir.

Íris Santos - Fotografia Boudoir
Eu a tentar manter a pose numa coisa com a qual tenho dificuldade em lidar – auto-retrato, ironicamente.

Chegou a hora de fazer a ponte entre fotografada e fotógrafa.

Como deves deduzir até aqui, o meu nome é Íris. Tenho 28 anos. Queria ser fotógrafa desde os 16. Mas o amor pela imagem começou bem antes. Eu sou a menina que queria ser fotógrafa.

Quando era pequena fui viver vários anos com a minha avó enquanto os meus pais faziam pela vida em Angola, ainda nos anos 90, durante a guerra civil que durou quase 30 anos. Vi e vivi coisas que ninguém deveria ver e viver, mas isso não vem ao caso agora.

Durante esse período os meus pais ofereceram-me um computador para que pudéssemos falar para além das caras e complicadas chamadas telefónicas (era necessário passar por um telefonista para podermos falar).
Naquela época a internet era muito mais lenta e muito mais cara do que é hoje, mas foi por aí que comecei a descobrir a magia do HTML e Adobe Photoshop.

Aos 10 anos, numa viagem a cross-country pela Espanha lembro-me de pararmos na estrada nacional para fotografar um campo de girassóis ao pôr-do-sol. Nunca mais me esqueci da emoção de conseguir capturar e conservar uma imagem para sempre, seguido de um polícia a gritar ao meu pai: “Quítate de ahí, hombre!”

Achava fascinante poder moldar e mudar as imagens e criar realidades que viviam apenas na nossa imaginação. Com 12 anos comecei a criar assinaturas para pessoas que passeavam pelos blogs de fandoms, e comecei a criar recursos (como vetores e pincéis) e publicava no deviantART. Quem é da época com certeza deve lembrar-se de quantos artistas começaram carreiras aí, incluindo a grande fotógrafa de moda, Lara Jade.

Início na Arte Digital

Com 14 anos comecei a levar a arte digital mais a sério. Como não tinha uma câmara fotográfica usava imagens disponibilizadas por fotógrafos para poder criar e moldar cenários à minha maneira.

Conforme os anos foram passando fui criando coisas mais complexas. Nunca cheguei ao nível de grandes artistas digitais, mas tinha definitivamente conseguido o meu espaço na comunidade.

A maioria dos meus trabalhos envolviam sempre algum nível de retrato em ambiente gótico ou alegórico, e sempre adorei retratar mulheres nas mais diversas situações do universo misterioso e obscuro. No fundo, nunca houve mensagem subjacente a ser passada, era apenas prazer visual pelo prazer visual.

Tinha eu 16 anos quando fomos ao Dubai em viagem. Os meus pais decidiram comprar uma câmara compacta e foi o segundo contacto significante que tive com a fotografia. Na altura, como qualquer novato com uma câmara, achava que fotografar flores era a coisa mais bonita de sempre.

Eu sei, não é preciso comentar.

Mas foi nessa altura que tomei a decisão. Queria ser fotógrafa. Para tristeza dos meus pais, que pensavam que eu iria decidir-me por Gestão Hoteleira (se bem que, de vez em quando, olho para trás e penso se não deveria ter seguido esse caminho, pois vida de artista não é fácil). Mas nunca houve resistência, sempre me apoiaram.

Vida Pós-Faculdade

Em 2010, com um coração cheio de sonhos e um cérebro cheio de ideias, faço-me à vida e mudo-me para Gaia. Começo a estudar na Escola Superior Artística do Porto, ansiosa para me tornar uma fotógrafa. Não fazia ideia do caminho que queria seguir e, infelizmente, esse sentimento perseguiu-me até ao dia em que saí da faculdade.

Aprendi sobre os grandes fotógrafos e artistas visuais da história da arte. Aprendi demasiadas coisas das quais já não tenho memória. E tínhamos horários e projetos a cumprir, como em qualquer ambiente académico.

Lembro-me que adorava laboratório, adorava revelar películas e adorava fotografar em analógico. Mas não sabia por que género queria enveredar quando saísse da faculdade.

Tinha pavor em fotografar casamentos. O meu maior medo era acabar por me tornar daqueles fotógrafos que fotografavam eventos por não terem outra alternativa. Admito que me deixei levar por uma mentalidade derrotista durante muito tempo. Pensei que esta era a única via para conseguir fazer vida depois de terminar a faculdade.

E isso foi uma pausa prolongada na minha fotografia por muito tempo. Voltei para Angola sem planos. A ideia era abrir um estúdio, mas a ideia dava-me dores de burro quando pensava que ia fotografar temas que nada me diziam. Era para isto que tinha andado a queimar as pestanas? Para fotografar coisas que me faziam sentir um robô? Senti-me uma fraude e com uma dívida enorme para com os meus pais. Sentia, pela primeira de muitas vezes, uma inútil.

Passei a ajudá-los na empresa e passei a tentar ser mais útil. E a ideia da fotografia ficou abandonada. Foquei-me em trabalhar, e enfiava a cabeça nos livros para fugir à ideia de que não estava a viver a melhor versão de mim mesma.

Fotografia em Angola

De vez em quando lá ia e pegava na câmara, e comecei a fazer uns retratos documentais em Angola, e algumas paisagens. Cheguei até a abrir uma página de fotografia focada só em fotografias de Angola, e as pessoas adoravam. Cheguei a um ponto em que tinha mais de 2500 seguidores.

Acabei por perder a paixão e deixei a câmara a ganhar pó. Sentia que estava a correr em círculos e sempre a fotografar a mesma coisa.

Com o tempo senti que não conseguia estar mais em Angola. Sentia-me presa em diversos sentidos, e a nostalgia por Portugal não conhecia limites. Tinha também começado a namorar com o meu atual companheiro e a ponte entre Portugal e Angola tornava-se mais insuportável a cada dia que passava.

Em final de 2017 montei uma empresa com dois amigos e todos nós trabalhávamos remotamente, e decidi que era uma ótima altura para fazer as malas e voltar para Portugal. Com trabalho remoto fixo tinha a capacidade de viver em qualquer ponto do planeta.

Fast-forward para o final de 2018: a empresa sofreu algumas más decisões por parte da gerência e eu acabei por sair. Dediquei-me a outras atividades que nada me diziam, e o bichinho da fotografia acordou e voltou a remoer-me por dentro. Sentia saudades de pegar na câmara, mas o que ia fotografar eu?

Transição

Num dos meus anteriores empregos, ainda a pensar neste assunto de voltar a pegar na câmara, ocorreu-me voltar a fotografar retrato. Eu tinha um receio enorme de pessoas, de me sentir uma fraude e de decepcionar as fotografadas. Mas não desisti da ideia e ela continuou a voltar à memória.

Um dia desses, que infelizmente já não lembro qual, lembrei-me que podia associar a ideia de empoderamento feminino e aceitação do próprio corpo à fotografia. Atenção: eu não sabia sequer o que era fotografia boudoir. Na faculdade não nos ensinam isso. Tudo o que eu sabia que queria aliar retratos intimistas à reinvindicação da independência, emancipação e empoderamento.

Então, comecei a pesquisar, e imagem a minha cara de espanto quando descubro que a ideia existe e se chama boudoir.

Presente

A ideia deu-me esperança e arrancou-me do torpor de viver um dia de cada vez sem ter planos para o futuro. Lembro-me da energia que tinha acabado de encontrar e comecei a planear, a procurar pessoas para fotografar e para ter portfólio para mostrar.

Depois de todo este testamento, espero ter ajudado a compreender o que me levou a fotografar mulheres. Já fotografei várias e a cada mulher que fotografo ela torna-se minha amiga a um certo nível. A experiência da sessão fotográfica boudoir é tão íntima que se torna uma sessão terapêutica no sentido de que une duas pessoas que, por mais diferentes que possam ser, encontram nela as suas semelhanças da experiência que é ser mulher.

Hoje a minha missão é valorizar a mulher e ajudá-la a criar a aceitação e amor próprio necessários para viver a melhor versão de si mesma.

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About the author

Apaixonada por fotografia, livros, gatos, maquilhagem e comida. Gosto de consumir arte e gosto de criá-la também. Não existe melhor sensação do que poder ajudar as mulheres através da minha arte, e a melhor parte do meu trabalho é quando sei que tive sucesso em restaurar e recuperar a auto-estima e confiança de uma mulher. Adoro a forma feminina e todas as subtilezas do espírito humano, e é o meu objetivo capturá-las para que as mulheres se vejam a si mesmas como realmente são: poderosas, belas e autênticas, por dentro e por fora.

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