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Modelling, Imagem e Autoestima: Entrevista com Sara Sequeira

Esta semana convidei ao blog a Sara Sequeira, modelo da Face Models. Sentámo-nos, à distância e respeitando a etiqueta sanitária, e falámos sobre ser modelo plus size, imagem e autoestima. Lê tudo na íntegra.

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Íris Santos: Conta-me um pouco sobre o teu percurso. Como é que chegaste à decisão de que querias ser modelo?
Sara Sequeira: Tudo começou aos 18 anos. Mas para ser sincera não foi algo do género “quero ser modelo”. Eu era muito fotogénica, e comecei a ser convidada por fotógrafos para me fotografarem. Fui aceitando alguns até que me convenceram a tentar ser agenciada. Fui a algumas agências e fui aceite e acabei por ser agenciada em Lisboa. Na altura tinha 62 quilos e 1.70m e durante o book fui considerada obesa para o mundo da moda. Disseram que se perdesse peso (aconselharam-me a comer só maçãs, beber muita água e fazer drenagens linfáticas) poderia ir longe. Como não era um objetivo meu deixei o tempo passar. Foi passado uns anos, depois de engordar mais de 23 quilos em 6 meses que percebi o impacto que a moda, os media e a maneira como vemos o corpo interfere com a nossa felicidade. Apesar de ter convites para fotografar, deixei de o fazer. Tive uma depressão e depois de recuperar ganhei força para lutar pela igualdade de corpos e pelo fim da ditadura dos corpos. Ser a referência que nunca tive
quando precisei.

IS: Que expectativas tinhas em relação ao mundo da moda? Sentes que a realidade foi de encontro a essas expectativas?
SS: Não tinha expectativas em relação à moda. Aliás, eu acho que a chave para a felicidade passa por não existir expectativas. Por isso todas as vitórias que conquisto são muito gratificantes, por mais pequenas que sejam. Já sabia que ia ser uma luta difícil.

Disseram que se perdesse peso (aconselharam-me a comer só maçãs, beber muita água e fazer drenagens linfáticas) poderia ir longe.

IS: Há algum tempo referiste que no mundo da moda sentes que és segregada e não te sentes integrada no mundo tradicional das modelos magras nem no mundo das modelos plus size. Acreditas que isto se deve a uma falta de um espectro maior na aceitação de corpos no universo da moda ou existe outro motivo?
SS: Acho que ainda não existe uma definição dos conceitos. O boom plus-size foi rápido lá fora, cá em Portugal é muito lento. Então como o processo ainda vai no início acho que ainda é tudo muito confuso e que qualquer modelo que não esteja dentro do padrão magro é considerado plus-size mesmo não sendo. Isto aconteceu lá fora também. No início colocavam modelos in-between e diziam que eram plus-size. Isto gera indignação pela parte do público plus-size por acharem que uma mulher curvy não representa o plus-size. Ainda existem marcas que o fazem!

IS: Como é que acreditas que poderá haver uma maior aceitação e diversidade de corpos na moda? Achas que ainda temos um longo caminho a percorrer?
SS: Temos sem dúvida um grande percurso a percorrer. Acho que a aceitação passa muito por não dar apenas o papel de mulher gorda às plus-size. Passa por lhes dar poder. O que quero dizer é que em qualquer publicidade o papel é de aceitação. Do género: “que se lixe o que os outros pensam!” Isto é uma mensagem muito importante, mas significa que estamos longe da aceitação porque ainda estamos a reivindicar um direito. Não existe qualquer representante do universo plus e curvy nos grandes eventos de moda do país, como por exemplo, ModaLisboa ou Portugal Fashion. Também não existe diversidade nas modelos, são muitas vezes escolhidas pelo número de seguidores do Instagram.

IS: Que tipo de conselho darias a alguém que pretende entrar no mundo da moda?
SS: Que se mantenham fiéis a si mesmos e que sejam seguros de si. O “não” vai surgir muitas vezes e pode abalar a nossa confiança. Tentar e tentar até conseguir. Na moda o que mais conta é o nosso carisma. Aliás, não é assim em todos os trabalhos?

IS: Na tua experiência de modelo, sentes que és mais vulnerável a sofrer de inseguranças relacionadas à imagem e auto-estima do que alguém que não é modelo?
SS: Mais ou menos. O que pode afetar a minha auto-estima, e isso acontece muitas vezes, é quando recebo um “não” no casting. Começo a pensar se estou no caminho certo, se não sou bonita o suficiente… se talvez tivesse menos barriga… etc. Com o tempo fui percebendo que não são essas razões que me fazem ficar ou não. Temos de encarar como personagens, e nem
todas as pessoas se enquadram nelas. Mas acho que é inevitável não ter esse tipo de pensamento.

Pouca gente fala disto, mas as nossas hormonas têm um poder grande sobre a maneira como nos vemos e como vivemos esses momentos.

IS: Como é que combates os momentos de insegurança?
SS: Tento usar o meu lado mais racional. Mas para ser sincera depende muito das minhas hormonas. Pouca gente fala disto, mas as nossas hormonas têm um poder grande sobre a maneira como nos vemos e como vivemos esses momentos. Se estiver naqueles dias deprimo (não vale a pena forçar algo). Se estiver em dias normais foco-me nas coisas que mais gosto: colocar uma música, olhar no espelho e namorar as coisas que mais gosto em mim e logo passa.

Autor: Tiago Soares

IS: Sentes que as fotografias em fato de banho ou lingerie têm algum tipo de efeito na tua autoestima? Que conselho darias a alguém que pretende fazer uma sessão do género mas tem receio de se sentir insegura e vulnerável?
SS: Por norma não têm efeito na minha auto-estima porque eu conheço bem o meu corpo e só tiro se me sentir confortável. Pode acontecer não gostar de alguma foto e ser para algum trabalho. Mas tenho de saber separar o meu papel como modelo da “Sara”.
No caso de ser alguém que queira fazer uma sessão e tenha receio deve fazer sempre com um profissional com que tenha confiança no seu trabalho. Isso é muito importante. Por norma acabamos por aprender coisas fantásticas sobre nós e sobre o nosso corpo que desconhecíamos por completo. Uma sessão nunca deverá ser uma tortura psicológica, mas sempre algo que te eleva a confiança e que te divirta. Acho muito importante seguir pessoas nas redes sociais com que sejam “reais”. Muitas das nossas inseguranças partem da tela do nosso telemóvel. O nosso feed é repleto de felicidade, corpo fantástico, vidas perfeitas. Quase tudo manipulado! Assim é muito difícil ganhar confiança em nós quando nos vedem a perfeição (que não existe) todos os dias.

No caso de ser alguém que queira fazer uma sessão e tenha receio deve fazer sempre com um profissional com que tenha confiança no seu trabalho. Isso é muito importante.

IS: Manténs alguma prática de self-care? Como é que recuperas quando uma situação menos positiva te abala emocionalmente?
SS: Tenho o hábito de escrever numa agenda todos os dias algo que me tenha feito feliz naquele dia. Isso força-nos a fazer algo que nos faça feliz. Quando estou mais em baixo, coloco uma música e danço.

IS: Obrigada por nos dedicares algum do teu tempo a esta entrevista! Não me despeço sem te perguntar: onde é que podemos visitar o teu trabalho e como podemos acompanhá-lo?
SS: Podem acompanhar no meu website ou no Instagram.

Sobre

Bem-vinda ao meu blog!

Sempre gostei muito de escrever, e fiz questão de criar este blog não só para destruir mitos associados à fotografia boudoir e sensual, como também para ajudar a educar as mulheres sobre a existência deste tipo de fotografia.

Aqui abordo temas sobre sessões fotográficas, sensualidade, auto-estima, e alguns insights mais pessoais sobre a minha vida que poderá ser de interesse público... ou não! :)

É um espaço onde podes estar mais pertinho de mim e descobrir mais do que ando a fazer fora das redes sociais. Prepara-te para longos monólogos sobre ocupar o nosso espaço como mulheres na sociedade enquanto tentamos ser tudo aquilo que queremos para nós e para o mundo.

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